sexta-feira, outubro 09, 2009

Boteco São Bento de gente chic se chama Ralph Loren

O seguinte texto foi-me gentilmente cedido pelo Cardoso para ser descaradamente plagiado nessas páginas, advindo diretamente de seu blog Contradictorium. Qualquer comentário, por obséquio podem ir encher o saco dele.


Infelizmente a mania de reagir a críticas com truculência Legal não se restringe a donos de bares auto-superestimados brasileiros, é uma tendência mundial. Por sorte a mordaça nos tempos de Internet, onde mais e mais gente inteligente se congrega, é uma atividade inglória e bastarda.

A “vítima” (você entenderá as aspas) da hora é o BoingBoing, aquele meta-superblog norte-americano. Eles publicaram uma imagem retirada do Photoshop Disasters, um anúncio da Ralph Lauren com uma modelo absurdamente magra, claramente photoshopada para se encaixar no padrão Auschwitz-Chic que algum misógino definiu como beleza feminina.



Os autores da aberração protestaram da única forma que sabem: Foram pro pau, mandaram uma carta para o provedor do BoingBoing denunciando-se sob o DMCA – Digital Millenium Copyright Act. Só que quando você é provedor de um blog do tamanho deles, não é burro. A denúncia foi encaminhada ao blog, que por sua vez caiu na gargalhada.

Qualquer advogado de porta de eBay sabe que a doutrina de FairUse garante a reprodução de conteúdo para fins de crítica ou paródia. E a 1a Emenda da Constituição dos Estados Unidos da América garante Liberdade de Expressão.

Para piorar, o provedor é Canadense.

A resposta do BoingBoing foi no melhor estilo Pirate Bay: QuaQuaQua. E ainda ameaçaram: cada vez que tentarem encher o saco com ameaças legais vazias, irão reproduzir o anúncio, linkar o texto original E publicar o texto da ameaça, só pra se divertirem.

Eu dou a maior força. É hora dessas empresas entenderem que OPINIÃO é algo que deve ser respeitado, não temido.

E de resto, a foto é ridícula mesmo.


por Cardoso

Meu último texto criminoso

Túlio Vianna é um bobinho.

quarta-feira, outubro 07, 2009

As advogadas de Polanski

"Bona fama in tenebris proprium splendorem obtinet."
— Adágio latino

A temática suprema dessa semana, tendo sido esgotados o alfabetismo in English da filha da ex-atriz pornô (acautelai-vos, ó revisores!), a mola do Barrichello e após o Rio de Janeiro ter resolvido suas avarias no sistema de fornecimento de entorpecentes (foi-me confiado que, com a quantidade de fogos estourados até durante a terça-feira, neguinho já estava pedindo por cocaína até mesmo na igreja do Garotinho), foi o crime que Roman Polanski cometeu há 32 anos, ao drogar e estuprar, vaginal e analmente, a garota Samantha, de 13 anos.

Como arguto observador de "poréns", faço menção sobre o busílis em voga (como é comum em assuntos do Direito Penal, ex posto facto) não dizer respeito exatamente o crime in se (de molde que um crime torpe confesso só pode ser negado por advogados com QI de beterraba; digerida), e sim à própria quizumba perpetrada em torno do aclamado diretor — estrépito este que não mereceria maior menção que o anódino contra-movimento #ficasarney, não fosse vociferado por indivíduos tipicamente tão defensores dos assim chamados "direitos das minorias".

Por óbvio que a maior decepção ficou por conta de celebridades peso chumbo de Hollywood, assinantes do manifesto Free Polanski. Maior, no caso, não quer dizer "mais inesperada".

O comportamento de massa, daquelas criaturas que abandonam volitivamente sua individualidade, aplica-se com rigor behaviorista não apenas à patuléia em época de eleições, mas também a filo-grupos que se auto-proclamam defensores de direitos civis e individuais, e se julgam de per se individuais por estarem sozinhos, e não fazendo mais passeatas e piquetes (apenas porque perceberam que a sombra das maiorias silenciosas, segundo feliz imagem de Baudrillard, não é afoita à revoluções violentas, ou melhor, à violência) — quando, na verdade, têm seu pensamento indo exatamente para a mesma toca, entre mil opostas à seu pensamento padrão, assim que algo que apreciam mostra ter os mesmos defeitos que dizem combater. É o pensamento "político, ético, cidadão" que aquilata tudo apenas através das categorias do "agradável/desagradável".

Quando uma pecha de seres pensantes e formadores de opinião nos recantos da internet (que apenas eternaliza as velhas formações de opinião no quintal do vizinho) não vê problemas em admitir (ou confessar?) categoricamente que não teria a postura de escudo-humano intelectual de Polanski se ele fosse um zé-qualquer, imediatamente sente-se saudades da época em que a verdade era vendida por um precinho menos paquidérmico, e precisava-se de pelo menos um partido político para convencer a inteligentsia a defender mentiras e violências.

Com inteligentsia, quero resgatar o sentido original do termo: não todos os produtores culturais, mas apenas aqueles que discutem entre si e formam opinião, mesmo de quem está fora de seu limite.

Polanski mereceria tratamento diferenciado. Ok, recentemente, Luis Inácio Lula da Silva também disse que Sarney é uma pessoa especial... bem, cá estou, divagando e sempre.

Estive relendo um post da Lola que serve de triste estudo de caso do fênomeno. Apesar de discordar ideologicamente, ou politicamente, da moça, sempre leio seu blog por admirar sua cultura e seu modo de escrever. Neste caso, podemos ver como até feministas gabaritadas escorregam no tomate para expremer limões e gerar Ki-Suco de morango.

Lola diz que foram outros tempos. Ao invés de me preocupar em refutar que outros tempos (ou culturas, ou países, ou advogados) não tornam um estupro menos estupro, chama-me a atenção que Lola gaste quase o seu texto todo falando de como houve muitos casos de romances com adolescentes parecidos (nenhum que envolvesse estupro) e como o tema foi explorado na arte.

Exploração na arte costuma ser crítica. Alguém acha que Apocalypse Now enaltece a Guerra do Vietnã? Que Mel Gibson estava rendendo loas a seu Cristo sendo escarificado Em O Evangelho Segundo Mel Gibson? O que seria então de Cidade de Deus? De A Queda? De Lolita (talvez o livro mais famoso no mundo escrito por alguém declaradamente "de direita" e anti-psicanálise, em pleno sec. XX)? De, sei lá, Independence Day? Noite dos Mortos Vivos? É tudo propaganda pró-morte e estupro e genocídio?

Comenta de uma prostituta adolescente, no filme Taxi Driver (segundo ela, coisa que nunca aconteceria hoje em dia). Uma prostituta adolescente também foi vivida recentemente, e no mesmo clima de crítica, em V de Vingança, baseado nos quadrinhos do anarquista — porém extremamente moralista — Alan Moore, também criador de Do Inferno — mais prostitutas — e Watchmen.

De toda forma, isso é um desvio do fato. O fato é: Polanski drogou, estuprou uma menina de 13 anos, que já tinha recusado sexo anteriormente. Perdi alguma coisa? Podia ser uma mulher de 40 anos. Aliás, e se fosse um rapaz heterossexual de 13 anos, e Polanski fosse um padre? Abuso de poder para fins tão vis é por demais nojento. Será que o Diabo de O Bebê de Rosemary também deve ser poupado da acusação de estupro?!

Lola afirma: "Se a gente mata ou estupra alguém e não é condenada dentro de 20 e 16 anos, respectivamente, o crime preescreve. Por que isso acontece? Porque considera-se que todo mundo tem direito a um julgamento justo, e que as testemunhas, por exemplo, possam não ter uma memória tão afiada depois de duas décadas."

Genial! Como é mesmo que um morto vai ter uma memória tão afiada sobre ter morrido, depois de duas décadas?! E um estupro... bem, isso é coisa que qualquer um esquece, igualzinho nos esquecemos das fórmulas de medir área trigonométrica...

Ademais, não me parece que o crime tenha prescrevido porque todos envelheceram placidamente e viveram felizes para sempre, justiça foi feita. Polanski fugiu — isso é debochar da Justiça, e também assinar sua confissão de culpa (mais ou menos como a fugir a debates).

Mesmo a vítima o ter perdoado não significa nada. Estado não é Igreja: a vítima perdoa, o Estado pune, Foucault requiescat in pace. Talvez ela só queira tocar a vida adiante, sem tornar público que pensa, todo santo dia, que foi estuprada. Perdão é uma coisa libertadora para quem perdoa, mas no nível da consciência, não da justiça (e justiça e perdão costumam ser mutuamente excludentes).

Tudo gira em torno da afirmação "O tempo de punir já passou". Inclusive se fosse um homicídio, de acordo com Lola. Obtempero que, se o tempo de ter passado da categoria dos "vivos" para a categoria dos "mortos", incluindo aquela triste categoria dos "brutalmente assassinados, que sofreram horas e dias de dor física e psicológica profunda até perderem de vez a consciência" (sem falar no pouco respeito dado a seus cadáveres) também retroagisse ex tunc dessa maneira, eu poderia concordar que o tempo de punir já passou. Ou, sobretudo, se ele tivesse sido punido durante esse tempo.

Mas Lola diz que ele já foi punido pois não pode entrar nos EUA, meca do cinema (mesmo que tenha levado um Oscar pra casa enquanto isso). Não creio que a Europa seja um exílio comparável a Runda ("Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá..."), e nem que Polanski tenha nascido na Califórnia... Melhor ainda foi a afirmação de que parte da punição é que os filmes de Polanski são boicotados... É a melhor forma de um criminoso escolher sua pena já vista!

[Mas dis je, aliás, que se for punido por "difamação" contra Túlio Vianna, quero a mesma punição de exílio na Europa, preferencialmente com passagens pagas por Gael González, o "cidadão" (será?) tão preocupado com o bem-estar da sociedade; o Champinha, por outro lado, pode ser solto e, para que não se leve a cabo as ameaças de morte de que é alvo, pode ficar na casa dele.]

Por sinal, Lola também pergunta: cadeia serve para punir ou reeducar? Aqui está o maior erro das pessoas que defendem o genocídio chamado "Direito Penal Abolicionista": se você não consegue reeducar alguém, uma de três funções da punição não foi atendida (no caso, a menos importante de todas — a possibilidade de reintegração). Logo, não importa o que diga a lei (sim, são criminosos a esse ponto... sabe-se a quais subterfúgios apelam advogados penais para exercer a honrada profissão de botar assassino nas ruas), forçarão sempre a barra para que um bandido seja posto em liberdade.

É claro que Lola não deve ter atentado a este mister, mas também não conseguimos "ressocializar" Fernandinho Beira-Mar, nem "reeducar" Paulo Maluf (espero não sofrer nova investigação por "calúnia" a estas "autoridades"). Logo, se a pena só serve para "punir" (como se isso fosse algo dispensável, ou indesejável), parece ser um abuso de poder de extrema-direita, não é mesmo? Seguindo a mesma lógica, Lola também deveria pedir pela libertação de Charles Manson, o psicopata cujo maior crime foi ser mentor do assassinato de Sharon Tate (grávida de 8 meses), mulher do próprio Polanski...

Este é um típico questionamento Oroborus, cobra mordendo o próprio rabo. Como se reeduca um estuprador? Com Freud? Se for por Freud, deve ser introduzido via anal? O que fazer com suas obras que não são brochuras? A cadeia, diga-se, também serve pra perdoar, concidadãos. Mas, para isso, o criminoso deve permanecer no conceito que chamamos de "dentro" dela, e não na sua contraposição conhecida por "fora". Enquanto não se obtém uma "prova" de que é possível reabilitar um estuprador, ele que mofe na cadeia, sim — e espero que só tenham "visitas íntimas" de seus advogados favoráveis ao "RE"...

Sobre ser um crime de 32 anos ("não é algo que aconteceu anteontem!"), lembremos que Polanski não foi punido porque fugiu. Então é mais um crime, e não menos. Ele não esteve sendo punido desde 77. Uma outrça moça bradou:

" Ele JÁ FOI PRESO e só fugiu pra se proteger."
- O RLY?

Ainda é de se estranhar que, no caso de Lola e de tantas outras pessoas com esse mesmo pensamento (ratifico: mesmo na hora de mudar de lado, age-se como uma manada ou um enxame), sejam as mesmas que adorem (ex-)comunistas que lutaram contra a ditadura e que, desde então, fizeram fama e fortuna só através de atos de 4 décadas. Isso quer dizer: pra punir (graças à "memória"), não pode; pra receber polpudas verbas governamentais, bancadas por cidadãos que rechaçam o comunismo, bem, aí pode...

A capacidade da esquerda de defender crimes bárbaros, como estupro, seqüestro, assassinato e retalhamento é incrível. Mas está preocupada com "difamação" e deve achar lindo que racismo seja um crime inafiançável e, pior, imprescritível, enquanto um homicídio não o é. Alguém mais acha que eu sou um louco fanático por não acreditar que o Estado e seus asseclas mandem melhor na minha vida (e de pessoas frágeis) do que nós mesmos? Defendam-me de meus defensores!

Mas chega a espantar que essas mesmas pessoas defendam tanto o "Estado Democrático de Direito" para todos, suponham que sejam contrárias à desigualdade social, mas queiram que um ricaço não vá para a cadeia por seu talento — honestamente, isso também explica seu posicionamento político, que nunca percebe as conseqüências do que pregam — neste caso, a saber, que as cadeias, então, terão pobres, cujos talentos costumam ser desconhecidos até deles próprios (mesmo que pudessem ser cineastas tão talentosos quanto Polanski).

E depois são os direitistas (viu como essa palavra soa quase como "nazista"?) que são favoráveis à eugenia!...

Em suma, falou-se muito do contexto. Mas o fato é que toda a "contextualização" só suavizou as acusações contra Polanski, embora o cuidado com a pornografia infantil na sociedade hoje seja maior — ele será acusado, principalmente, por fuga do país, o que eu, que não entendo nada de Direito, julgo pelo "senso comum" que deva ser um pouquinho menos do que drogar uma menina e sodomizá-la vaginal e analmente enquanto ela está inconsciente. Não urge tanto alertar sobre o contexto — desde 77 tudo está bem contextualizado, e diga-se, apenas abrandado, e nada piorado.

Felizmente não é o caso de Lola (a única pessoa que nomeei aqui, embora tenha pinçado outros textos), mas sabe-se que o brasileiro "argumenta" em causa própria em 90% das vezes. Então ok, mocréias, já entendi que adorariam levar do Polanski no rabo. Mas deixem que a justiça seja feita, como vocês esperneariam que o fosse se o criminoso fosse eu e as estupradas fossem vocês.

terça-feira, outubro 06, 2009

Meu pedido público de desculpas, Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna

"Estou sendo processado por inúmeros jornalistas. Eles se sentem caluniados porque revelo para quem eles trabalham. Só jornalistas maricas processam outros jornalistas. Um jornalista que se preze responde a um artigo com outro artigo."
— Diogo Mainardi

Italic
AVISO aos meus 7 leitores: uma infindável burocracia estatal contaminou a internet na minha casa, por isso o blog esteve parado; forças maiores (ou pelo menos com vontades maiores de lucrarem com processos) me forçaram a voltar a escrever; peço minhas escusas por não ter ainda cuidado do layout (que peguei pronto), com a promessa de que no fim da semana que vem o farei. Pra variar, estou culpando o comunismo. Pra variar, é verdade.

post editado, erros corrigidos. eu acho.


Para quem era feliz em sua ignorância, este blog está sendo investigado pela Polícia Civil graças á denúncia cidadã de um fake denominado Gael González, criado unica e exclusivamente para reclamar de minhas opiniões a respeito de Túlio Vianna.

Como não quero ser preso, violentado e torturado por outros presos, venho a público fazer meu pedido de desculpas a essas duas (duas?) almas tão cidadãs. Para quem passou os últimos meses em Urano, um pequeno histórico irá explicar o busílis.

No dia 25 de julho, os blogueiros Gravataí Merengue, Morróida e Izzy Nobre resolveram organizar o #lingerieday no Twitter, uma idéia que tinha tudo para dar errado. Reclamaram tanto que até quem não estava fazendo a menor idéia de que isso existia apareceu e até participou sem saber quem organizava. A chefia do berreiro ficou a cargo do professor de Direito da PUC-MG (e agora da UFMG) Túlio Vianna, que chegou a afirmar que as moças que exibiram sua lingerie no Twitter estavam sendo tratadas como um "bife".

Apesar de concordar com a Fran Lebowitz (quando diz que seu animal preferido é o bife), achei estranho que este professor considerasse o evento como uma, digamos, bifeficação. Ainda mais sendo ele o autor do açougueiríssimo texto E se Liana se chamasse Maria e Felipe se chamasse João, em que defende que o seqüestrador, estuprador, torturador e retalhador Champinha não teria cometido nenhum crime, pois estava buscando o que o Estado lhe negou. Escrevi um post no blog de meu amigo (por sinal, bacharelando em Direito pela USP) Gabriel Moura sobre o assunto. Entre outros adjetivos impublicáveis, tratei o prof. Túlio Vianna por "merdinha", o que, como se sabe, fere gravemente a honra e a reputabilidade de uma pessoa adulta e cheia de méritos como um doutor em Direito.

Escrevi este texto para alertar pessoas que discutiam "objetificação" sem saber que lidavam com um defensor de uma objetificação que impossivelmente seria mais mórbida, mas cuja arrogância e ignorância não lhe impediam de ainda querer dar uma aula sobre o que é um bife (e talvez como retalhá-lo). É forçoso notar que toda a sua argumentação (repita-se: TODA) consistiu tão-somente em acusar Gravataí de ser um doente mental e onanista (argumentum ad hominem, art. 140 CP), que precisava procurar um psicoterapeuta, e repetir ad nauseam que Gravz, enquanto macho, era um sujeito, enquanto as moças (e rapazes) que exibiram sua lingerie (ou partes sobejantemente hirsutas) seriam objetos (ideiazinha de moleque que se acha filósofo, refutável entremeada a bocejos por qualquer bostinha conhecedor de 1% da filosofia do sec. XX). NADA mais foi dito, e desafio Vianna ou Gael a exibir alguma sabedoria mais profunda e menos goebbelsiana.

Faço notar que até refutaria letra a letra cada palavra que Túlio Vianna proferisse sobre criminologia, objetificação, Foucault, lingeries ou bifes ao molho pardo, caso ele escrevesse algo mais profundo que merecesse tal vivissecção, ao invés de simplesmente papagaiar se achando professor, quando não tem mérito sequer pra ser um aluninho reprovado.

Embora Vianna tenha gastado o dia inteiro discutindo no Twitter, achou por bem dizer que não iria perder tempo respondendo a um "reacionário raivoso" como eu, pois se o fizesse com cada um, não faria outra coisa na vida ("Deixa a cachorrada latir", segundo ele — crime tipificado no art. 140 CP: pelo princípio animus retorquendi, exclui qualquer possível pena a mim, além de minha injúria ter sido provocada diretamente pelo ofendido). Preferiu gastar suas preciosas e esparsas horas com coisas que exijam menos neurônios, como reclamar no Twitter de compararem seu campeonato de Miss Direito Penal ao #lingerieday.

Uma semana após, Vianna apareceria na MTV queixando-se de humoristas que fazem... piadas. Afirmava que o humor deve ser patrulhado e (não usou essas palavras) censurado (quiçá por advogados como ele ou o fake Gael, que podem definir o que pode e o que não pode para bestas como nós). Escrevi o texto (vide dois posts abaixo) sobre Túlio Vianna querer nos ver felizes. Novamente, o doutor preferiu não discutir, e eu fui acusado de não saber argumentar, só repetir uma única frase o tempo todo (em contraste a Vianna e Gael, gênios da lógica, da retórica, da poesia e da dialética, a ponto de botarem psicopatas nas ruas), embora eu não consiga encontrar a tal frase no texto sem a hermenêutica jurídica de Gael..

Entrementes o fake foi criado no orkut e no Blogger. Depois de insistir com minha bolsa escrotal que eu era irrelevante (como paradoxalmente sua existência e seus queixumes à Polícia Civil o comprovam), resolveu se aproveitar de um post novo neste blog (vide abaixo), em que reproduzo um texto alvo de ameaça de processo a respeito de um tal "Boteco São Bento" e sua má recepção, para me denunciar para a Polícia Civil (vide os comentários e as ameaças).

Recapitulando os personagens:

Dramatis Personæ
Flavio Morgenstern, perigosíssimo delinqüente anti-social
Gravataí Merengue, Morróida e Izzy Nobre, porcos chauvinistas
Gael González, fake advogado do Diabo
Champinha, retalhador a procura de emprego numa creche pública
Boteco São Bento, pior bar do sistema solar
Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna, o merdinha

Antes que o próprio "ofendido", o Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna, venha me processar, apontando um dedo em meu nariz com o dorso da outra mão à cintura e pézinho a fustigar violentamente o assoalho, bradando: "Está pensando que sou pouca merda?!", não me resta mais nada além de fazer um pedido de desculpas ao Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna. Para começar, dou para trás no apelido de "merdinha" que lhe dei (de fato, que seus alunos e amigos lhe deram, ao tanto reclamarem): um professor de Direito, que infecta e contamina a mente de alunos nada afeitos à crítica e à leitura de autores divergentes, não pode ser um merdinha — é sim um bandidaço genocida de neurônios da mais alta periculosidade. Se sua família algum dia for assassinada e retalhada, caro leitor, pode se perguntar se Túlio Vianna não tem envolvimento direto com o caso.

Sua menção, doravante, não será mais por termos como merdinha, adevogadozinho medíocre de quinta categoria, defensor de estuprador, apologista da pirataria (Artigo 184 CP), besta-quadrada ou outros termos caluniosos. Muito menos por bactéria macrobiótica, saco de peido, montanha purulenta, balde de porra, triste destino fétido da decadência ocidental, comedor de cu de gato ou abolicionista penal, que tanto passa pela cabeça de meus leitores. No lugar, esta carrada adjetivista estará circunscrita na expressão "Sua Excelência" (por óbvio que esta troca é uma operação de mão-dupla, mas meus leitores que a escrevam e sejam presos por própria conta em risco).

(Já estou até me imaginando num presídio de segurança máxima: "Estou aqui porque matei um cara", "Eu trafiquei fuzis", "Eu estuprei e degolei uma menina", "E eu, falei mal de um advogado contrário ao #lingerieday".)

Não é a primeira vez que um advogado perde as estribeiras numa discussão pela internet e, para fingir que ganhou a discussão, invoca o poder de processo. Já tentaram me calar antes, como mostra essa imagem (cliquem para ampliar):



O que fazer com advogados que ao serem humilhados e terem sua pequenez intelectual exposta em público, acham que podem botar medo em alguém dizendo que sabem processar? No presente caso, examinarei mais demoradamente as acusações de Gael.

Gael diz que eu "faço pouco caso das autoridades", sendo que o que mais quero é que elas sejam mais respeitadas, ao contrário de Túlio Vianna e dele próprio. E reclamo da advogada do Boteco São Bento, por fazer esse papelão. Ela, ao contrário, deve estar me agradecendo, por saber que foi acionada por picuinhas, e que por isso não irá cobrar um michê fixo, o que significa, portanto, que estará mais rica às minhas custas, sem me repassar um único prostituto.

Confudir "autoridades" (como policiais que arriscam sua vida para prender bandidos) com advogadozinhos buscando fazer fama e fortuna às espensas ou de uma resenha negativa (como a do Boteco São Bento), ou, quem sabe, com seqüestro-estupro-assassinato frio (como Sua Excelência), me parece algo passível de menos encômios do que um crime. Ou seja: não faço pouco caso das autoridades, e sim de advogados imbecis que a atravancam, em troca de auferir um lucrinho para seu próprio bolso (o órgão mais pensante desses seres) e vociferar que estão cumprindo seu dever de cidadãos.

Confundir autoridades civis consigo próprio também tipifica crime de falsidade ideológica, previsto no art. 299 CP, e o anonimato não o livra, penalmente, do crime de denunciação caluniosa, embora exigir o completo entendimento disso de alguém que quer me denunciar para a Polícia Civil por eu comprovar que um merdinha é um merdinha, ao mesmo tempo em que faz troça em meu próprio blog dos crimes que sabe cometer e me chama de "verme covarde que se esconde atrás de um computador" me soa uma legítima reductio ad absurdum. Sem falar em me "denunciar" por injúria cometendo outras: alguns advogados estão ocupados demais tentando colocar estupradores nas ruas para entender de Processo Penal por injúria...

Ainda diz que chamei de "propaganda gratuita" os direitos civis das outras pessoas. Pelo contrário: chamei de propaganda gratuita me "denunciar" para a Polícia Civil, como se delegacias não tivessem mais o que fazer, pelo direito de alguém ser um merdinha. Mas e que tal falar dos "direitos civis" de Liana e de Felipe? Nenhum advogado apologista de assassino (melhor repetir, ASSASSINO) está disposto?

Não invoquei o "suposto manto da 'liberdade de expressão'" para "cometer crimes". Posso processar o Gael por difamação: mas, por ora, isso vai contra o que exponho sobre o atravancamento da Justiça por advogados remelentos que confundem Justiça com estupro e degolamento, e autoridades consigo próprios.

Gael me difama (mimimi!) dizendo que serei "mulherzinha de presidiário, como sempre sonhei". Se isso não é incitação ao crime (art. 286, CP), é o quê? E deixo com Túlio Vianna a apologia do criminoso (art. 287, CP). Lembrando: ambos de ação penal pública incondicionada...

Não para por aí: eu "perpetro vários crimes e ilícitos civis". Por exemplo... discordar e tratar por termos pouco adequados um professor. Que merda eu penso que sou pra discordar?!

"Há também sérias violações a direitos civis e garantias constitucionais de particulares, tanto pessoas jurídicas quanto pessoas físicas" — o leitor mais "morgenzete" permitir-me-á dar para trás novamente: não violei o direito civil nem a garantia constitucional de nenhuma empresa vender chopp mais quente e azedo que xoxota na época dos vikings, nem mesmo em ter garçons enrabados cicladianamente por tulipas para serem tão chatos com os petiscos sem graça em acompanhamento. Só adverti meus 7 leitores de que se eles querem meter a boca em coisas mais quentes e azedas que as ditas xoxotas, podem procurá-las em outros estabelecimentos mais gabaritados.

Faço também notar que não neguei o direito de resposta de Sua Excelência. Mas, para isso, talvez Sua Excelência tenha de se desencastelar de sua morada acadêmica, enfrentar um zé-arruela leitor de Veja, rebaixar-se a explicar pormenorizadamente as irrefutáveis provas de que Champinha não cometeu nenhum crime ao seqüestrar, estuprar, torturar, destruir aos poucos o corpo de Liana, terminando por degolá-la e se aproveitar de seu cadáver — explicar a falta de crime para um imbecil como eu, que não consegue nem perceber essa coisa óbvia, que qualquer protozoário ou aluno de Túlio Vianna é capaz de entender, muito menos como isso pode ser uma revolta legítima contra o Estado, ou ainda qual morte pode ter pior que a de Liana.

Contudo talvez algum "morgenzete" acredite que, se Sua Excelência colocar em seu blog uma réplica a um texto meu, que destrincha as falhas não só de pensamento, mas de moral desse arauto do politicamente correto, Sua Excelência não poderá mais se refugiar na seclusão de um mundinho acadêmico em que seus aluninhos recém-saídos do cursinho lhe amam sem conhecer suas falhas, e o consideram um Deus da esquerda sem nunca ter lido ninguém de direita — ou mesmo alguém de esquerda com um pensamento menos chulé, o que não parece ser tão difícil de se encontrar.

Quem sabe aí Sua Excelência teria de refutar meus argumentos, e se expor ao ridículo não só ao meu público, que já o considera ridículo, mas até ao seu próprio, ao se mostrar um açougueiro procurando público pro domo sua, às custas de um assassino com quem teria medo de cruzar numa rua às 5 da tarde, mas sobretudo de uma menina retalhada por este monstro, cujo cadáver ele teria nojinho de ver no necrotério, mas que, segundo Sua Excelência, foi tão somente um obstáculo para Champinha conseguir seus direitos estatais.

De toda forma, cabe aí o convite: o Excelentíssimo Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna é livre para replicar, ponto a ponto, frase a frase, os meus argumentos, e aí teremos um debate de gente grande. Isso, é claro, se não preferir se esconder atrás de fakes e achar que me assusta me chamando de "criminoso", como se ele não fosse um criminoso dos grandes.

Sendo a discussão jurídica, cabe perguntar: o que é mais interessante para o bem público prender Flavio Morgenstern, o perigosíssimo delinqüente que pratica a esmo "sérias violações a direitos civis e garantias constitucionais" do casal Túlio Vianna-Champinha (quase uma dupla sertaneja, ou quiçá de gore metal) para que ele seja "mulherzinha de presidiário, como sempre sonhou", e a sociedade possa dormir tranqüila sem pensar que mais um monstruoso pregador da pena de morte e do Direito Penal do Inimigo esteja lendo Ortega y Gasset entre eles, ou se preocupar com ONGs com verbas governamentais (?!) que querem Champinha livre, e com um Túlio Vianna dizendo que destruir a vagina de uma adolescente de 16 anos durante um seqüestro terminado em esfaqueamento e degolamento ("Matei porque quis", segundo Champinha) não constitui crime e Champinha é apenas um "suposto algoz"?

Acredito que logo logo estarei sendo processado por "assassinato intelectual". Se algum delegado até agora estava caindo na minha ladainha, sinto lhe informar: não tenho nenhuma contra-prova que desminta a acusação.

Assim sendo, não sei se chega a surpreender que Gael defendendo Sua Excelência chegue a descer ao averno ideológico capitalista de defender uma empresa privada (no caso, o Boteco São Bento). Claro é que Gael, em sua ânsia desenfreada para defender seu ídolo, agora queira atacar Flavio Morgenstern per fas et per nefas.

Gael ri de eu não ter dinheiro, enquanto Túlio e o dono do boteco têm. Furtar-me-ei a honrar tal acinte com uma réplica.

De toda forma, Sua Excelência é um abolicionista ferrenho, aquilatando que ninguém deve ir para a prisão, nem mesmo retalhando alguém. Como não tenho dinheiro para pagar uma advogada, e nem garbo e elegância para conquistar uma estagiária gostosinha, acabo de enviar um e-mail para prof@tuliovianna.org perguntando se Sua Excelência não pode ser meu advogado de defesa neste arrastado e importantíssimo caso.

Mas in finis, tenho novidades vindas da USP sobre Túlio Vianna, coincidentemente do mesmo dia em que Gael veio me botar nos eixos. Aguardem.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Boteco São Bento - o pior bar do sistema solar

Edição posterior: encontrei esse texto no blog do Cardoso, e resolvi aderir à ideia. Não sei se o texto original é dele, mas fica impossível confirmar com tantos blogs o reproduzindo; de toda forma, acho que quem criou queria iniciar uma espécie de marketing viral, então creio que o Sindicato dos Blogueiros não vai me processar — apenas os advogados de merda, já fartamente conhecidos.


O blog Resenha6 escreveu o post abaixo (detalhes ulteriores aqui) sobre o péssimo atendimento de um tal "Boteco São Bento". O resultado foi o dono do bar aparecer nos comentários atacando no melhor estilo baixaria os donos do blog, coisas do nível "Felizmente não precisamos de clientes do seu perfil" pra baixo.

Como essa estratégia não foi bem-recebida pelos leitores, o próximo passo foi soltar uma notificação extra-judicial, basicamente ameaçando de processo o blog, caso não retire em 24 horas o post.

Pois bem; acho que advogados também merecem ganhar seu dinheiro, então sugiro que a advogada do Boteco São Bento tenha bastante trabalho. Minha proposta: TODOS, digo TODOS os blogs devem publicar o MESMO post. Assim ela terá que enviar notificação para TODO MUNDO. Ou fechar a Internet.

Aqui minha contribuição. Aguardo a notificação.



Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles ainda ficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha simpatia no atendimento.

* Fui no da Vila Madalena. Dizem que o do Itaim é ainda pior.
* Para dicas de botecos que valem a pena, leia outras resenhas aqui.
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Resenhado por
Raphael Quatrocci