sexta-feira, outubro 09, 2009

Boteco São Bento de gente chic se chama Ralph Loren

O seguinte texto foi-me gentilmente cedido pelo Cardoso para ser descaradamente plagiado nessas páginas, advindo diretamente de seu blog Contradictorium. Qualquer comentário, por obséquio podem ir encher o saco dele.


Infelizmente a mania de reagir a críticas com truculência Legal não se restringe a donos de bares auto-superestimados brasileiros, é uma tendência mundial. Por sorte a mordaça nos tempos de Internet, onde mais e mais gente inteligente se congrega, é uma atividade inglória e bastarda.

A “vítima” (você entenderá as aspas) da hora é o BoingBoing, aquele meta-superblog norte-americano. Eles publicaram uma imagem retirada do Photoshop Disasters, um anúncio da Ralph Lauren com uma modelo absurdamente magra, claramente photoshopada para se encaixar no padrão Auschwitz-Chic que algum misógino definiu como beleza feminina.



Os autores da aberração protestaram da única forma que sabem: Foram pro pau, mandaram uma carta para o provedor do BoingBoing denunciando-se sob o DMCA – Digital Millenium Copyright Act. Só que quando você é provedor de um blog do tamanho deles, não é burro. A denúncia foi encaminhada ao blog, que por sua vez caiu na gargalhada.

Qualquer advogado de porta de eBay sabe que a doutrina de FairUse garante a reprodução de conteúdo para fins de crítica ou paródia. E a 1a Emenda da Constituição dos Estados Unidos da América garante Liberdade de Expressão.

Para piorar, o provedor é Canadense.

A resposta do BoingBoing foi no melhor estilo Pirate Bay: QuaQuaQua. E ainda ameaçaram: cada vez que tentarem encher o saco com ameaças legais vazias, irão reproduzir o anúncio, linkar o texto original E publicar o texto da ameaça, só pra se divertirem.

Eu dou a maior força. É hora dessas empresas entenderem que OPINIÃO é algo que deve ser respeitado, não temido.

E de resto, a foto é ridícula mesmo.


por Cardoso

Meu último texto criminoso

Túlio Vianna é um bobinho.

quarta-feira, outubro 07, 2009

As advogadas de Polanski

"Bona fama in tenebris proprium splendorem obtinet."
— Adágio latino

A temática suprema dessa semana, tendo sido esgotados o alfabetismo in English da filha da ex-atriz pornô (acautelai-vos, ó revisores!), a mola do Barrichello e após o Rio de Janeiro ter resolvido suas avarias no sistema de fornecimento de entorpecentes (foi-me confiado que, com a quantidade de fogos estourados até durante a terça-feira, neguinho já estava pedindo por cocaína até mesmo na igreja do Garotinho), foi o crime que Roman Polanski cometeu há 32 anos, ao drogar e estuprar, vaginal e analmente, a garota Samantha, de 13 anos.

Como arguto observador de "poréns", faço menção sobre o busílis em voga (como é comum em assuntos do Direito Penal, ex posto facto) não dizer respeito exatamente o crime in se (de molde que um crime torpe confesso só pode ser negado por advogados com QI de beterraba; digerida), e sim à própria quizumba perpetrada em torno do aclamado diretor — estrépito este que não mereceria maior menção que o anódino contra-movimento #ficasarney, não fosse vociferado por indivíduos tipicamente tão defensores dos assim chamados "direitos das minorias".

Por óbvio que a maior decepção ficou por conta de celebridades peso chumbo de Hollywood, assinantes do manifesto Free Polanski. Maior, no caso, não quer dizer "mais inesperada".

O comportamento de massa, daquelas criaturas que abandonam volitivamente sua individualidade, aplica-se com rigor behaviorista não apenas à patuléia em época de eleições, mas também a filo-grupos que se auto-proclamam defensores de direitos civis e individuais, e se julgam de per se individuais por estarem sozinhos, e não fazendo mais passeatas e piquetes (apenas porque perceberam que a sombra das maiorias silenciosas, segundo feliz imagem de Baudrillard, não é afoita à revoluções violentas, ou melhor, à violência) — quando, na verdade, têm seu pensamento indo exatamente para a mesma toca, entre mil opostas à seu pensamento padrão, assim que algo que apreciam mostra ter os mesmos defeitos que dizem combater. É o pensamento "político, ético, cidadão" que aquilata tudo apenas através das categorias do "agradável/desagradável".

Quando uma pecha de seres pensantes e formadores de opinião nos recantos da internet (que apenas eternaliza as velhas formações de opinião no quintal do vizinho) não vê problemas em admitir (ou confessar?) categoricamente que não teria a postura de escudo-humano intelectual de Polanski se ele fosse um zé-qualquer, imediatamente sente-se saudades da época em que a verdade era vendida por um precinho menos paquidérmico, e precisava-se de pelo menos um partido político para convencer a inteligentsia a defender mentiras e violências.

Com inteligentsia, quero resgatar o sentido original do termo: não todos os produtores culturais, mas apenas aqueles que discutem entre si e formam opinião, mesmo de quem está fora de seu limite.

Polanski mereceria tratamento diferenciado. Ok, recentemente, Luis Inácio Lula da Silva também disse que Sarney é uma pessoa especial... bem, cá estou, divagando e sempre.

Estive relendo um post da Lola que serve de triste estudo de caso do fênomeno. Apesar de discordar ideologicamente, ou politicamente, da moça, sempre leio seu blog por admirar sua cultura e seu modo de escrever. Neste caso, podemos ver como até feministas gabaritadas escorregam no tomate para expremer limões e gerar Ki-Suco de morango.

Lola diz que foram outros tempos. Ao invés de me preocupar em refutar que outros tempos (ou culturas, ou países, ou advogados) não tornam um estupro menos estupro, chama-me a atenção que Lola gaste quase o seu texto todo falando de como houve muitos casos de romances com adolescentes parecidos (nenhum que envolvesse estupro) e como o tema foi explorado na arte.

Exploração na arte costuma ser crítica. Alguém acha que Apocalypse Now enaltece a Guerra do Vietnã? Que Mel Gibson estava rendendo loas a seu Cristo sendo escarificado Em O Evangelho Segundo Mel Gibson? O que seria então de Cidade de Deus? De A Queda? De Lolita (talvez o livro mais famoso no mundo escrito por alguém declaradamente "de direita" e anti-psicanálise, em pleno sec. XX)? De, sei lá, Independence Day? Noite dos Mortos Vivos? É tudo propaganda pró-morte e estupro e genocídio?

Comenta de uma prostituta adolescente, no filme Taxi Driver (segundo ela, coisa que nunca aconteceria hoje em dia). Uma prostituta adolescente também foi vivida recentemente, e no mesmo clima de crítica, em V de Vingança, baseado nos quadrinhos do anarquista — porém extremamente moralista — Alan Moore, também criador de Do Inferno — mais prostitutas — e Watchmen.

De toda forma, isso é um desvio do fato. O fato é: Polanski drogou, estuprou uma menina de 13 anos, que já tinha recusado sexo anteriormente. Perdi alguma coisa? Podia ser uma mulher de 40 anos. Aliás, e se fosse um rapaz heterossexual de 13 anos, e Polanski fosse um padre? Abuso de poder para fins tão vis é por demais nojento. Será que o Diabo de O Bebê de Rosemary também deve ser poupado da acusação de estupro?!

Lola afirma: "Se a gente mata ou estupra alguém e não é condenada dentro de 20 e 16 anos, respectivamente, o crime preescreve. Por que isso acontece? Porque considera-se que todo mundo tem direito a um julgamento justo, e que as testemunhas, por exemplo, possam não ter uma memória tão afiada depois de duas décadas."

Genial! Como é mesmo que um morto vai ter uma memória tão afiada sobre ter morrido, depois de duas décadas?! E um estupro... bem, isso é coisa que qualquer um esquece, igualzinho nos esquecemos das fórmulas de medir área trigonométrica...

Ademais, não me parece que o crime tenha prescrevido porque todos envelheceram placidamente e viveram felizes para sempre, justiça foi feita. Polanski fugiu — isso é debochar da Justiça, e também assinar sua confissão de culpa (mais ou menos como a fugir a debates).

Mesmo a vítima o ter perdoado não significa nada. Estado não é Igreja: a vítima perdoa, o Estado pune, Foucault requiescat in pace. Talvez ela só queira tocar a vida adiante, sem tornar público que pensa, todo santo dia, que foi estuprada. Perdão é uma coisa libertadora para quem perdoa, mas no nível da consciência, não da justiça (e justiça e perdão costumam ser mutuamente excludentes).

Tudo gira em torno da afirmação "O tempo de punir já passou". Inclusive se fosse um homicídio, de acordo com Lola. Obtempero que, se o tempo de ter passado da categoria dos "vivos" para a categoria dos "mortos", incluindo aquela triste categoria dos "brutalmente assassinados, que sofreram horas e dias de dor física e psicológica profunda até perderem de vez a consciência" (sem falar no pouco respeito dado a seus cadáveres) também retroagisse ex tunc dessa maneira, eu poderia concordar que o tempo de punir já passou. Ou, sobretudo, se ele tivesse sido punido durante esse tempo.

Mas Lola diz que ele já foi punido pois não pode entrar nos EUA, meca do cinema (mesmo que tenha levado um Oscar pra casa enquanto isso). Não creio que a Europa seja um exílio comparável a Runda ("Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá..."), e nem que Polanski tenha nascido na Califórnia... Melhor ainda foi a afirmação de que parte da punição é que os filmes de Polanski são boicotados... É a melhor forma de um criminoso escolher sua pena já vista!

[Mas dis je, aliás, que se for punido por "difamação" contra Túlio Vianna, quero a mesma punição de exílio na Europa, preferencialmente com passagens pagas por Gael González, o "cidadão" (será?) tão preocupado com o bem-estar da sociedade; o Champinha, por outro lado, pode ser solto e, para que não se leve a cabo as ameaças de morte de que é alvo, pode ficar na casa dele.]

Por sinal, Lola também pergunta: cadeia serve para punir ou reeducar? Aqui está o maior erro das pessoas que defendem o genocídio chamado "Direito Penal Abolicionista": se você não consegue reeducar alguém, uma de três funções da punição não foi atendida (no caso, a menos importante de todas — a possibilidade de reintegração). Logo, não importa o que diga a lei (sim, são criminosos a esse ponto... sabe-se a quais subterfúgios apelam advogados penais para exercer a honrada profissão de botar assassino nas ruas), forçarão sempre a barra para que um bandido seja posto em liberdade.

É claro que Lola não deve ter atentado a este mister, mas também não conseguimos "ressocializar" Fernandinho Beira-Mar, nem "reeducar" Paulo Maluf (espero não sofrer nova investigação por "calúnia" a estas "autoridades"). Logo, se a pena só serve para "punir" (como se isso fosse algo dispensável, ou indesejável), parece ser um abuso de poder de extrema-direita, não é mesmo? Seguindo a mesma lógica, Lola também deveria pedir pela libertação de Charles Manson, o psicopata cujo maior crime foi ser mentor do assassinato de Sharon Tate (grávida de 8 meses), mulher do próprio Polanski...

Este é um típico questionamento Oroborus, cobra mordendo o próprio rabo. Como se reeduca um estuprador? Com Freud? Se for por Freud, deve ser introduzido via anal? O que fazer com suas obras que não são brochuras? A cadeia, diga-se, também serve pra perdoar, concidadãos. Mas, para isso, o criminoso deve permanecer no conceito que chamamos de "dentro" dela, e não na sua contraposição conhecida por "fora". Enquanto não se obtém uma "prova" de que é possível reabilitar um estuprador, ele que mofe na cadeia, sim — e espero que só tenham "visitas íntimas" de seus advogados favoráveis ao "RE"...

Sobre ser um crime de 32 anos ("não é algo que aconteceu anteontem!"), lembremos que Polanski não foi punido porque fugiu. Então é mais um crime, e não menos. Ele não esteve sendo punido desde 77. Uma outrça moça bradou:

" Ele JÁ FOI PRESO e só fugiu pra se proteger."
- O RLY?

Ainda é de se estranhar que, no caso de Lola e de tantas outras pessoas com esse mesmo pensamento (ratifico: mesmo na hora de mudar de lado, age-se como uma manada ou um enxame), sejam as mesmas que adorem (ex-)comunistas que lutaram contra a ditadura e que, desde então, fizeram fama e fortuna só através de atos de 4 décadas. Isso quer dizer: pra punir (graças à "memória"), não pode; pra receber polpudas verbas governamentais, bancadas por cidadãos que rechaçam o comunismo, bem, aí pode...

A capacidade da esquerda de defender crimes bárbaros, como estupro, seqüestro, assassinato e retalhamento é incrível. Mas está preocupada com "difamação" e deve achar lindo que racismo seja um crime inafiançável e, pior, imprescritível, enquanto um homicídio não o é. Alguém mais acha que eu sou um louco fanático por não acreditar que o Estado e seus asseclas mandem melhor na minha vida (e de pessoas frágeis) do que nós mesmos? Defendam-me de meus defensores!

Mas chega a espantar que essas mesmas pessoas defendam tanto o "Estado Democrático de Direito" para todos, suponham que sejam contrárias à desigualdade social, mas queiram que um ricaço não vá para a cadeia por seu talento — honestamente, isso também explica seu posicionamento político, que nunca percebe as conseqüências do que pregam — neste caso, a saber, que as cadeias, então, terão pobres, cujos talentos costumam ser desconhecidos até deles próprios (mesmo que pudessem ser cineastas tão talentosos quanto Polanski).

E depois são os direitistas (viu como essa palavra soa quase como "nazista"?) que são favoráveis à eugenia!...

Em suma, falou-se muito do contexto. Mas o fato é que toda a "contextualização" só suavizou as acusações contra Polanski, embora o cuidado com a pornografia infantil na sociedade hoje seja maior — ele será acusado, principalmente, por fuga do país, o que eu, que não entendo nada de Direito, julgo pelo "senso comum" que deva ser um pouquinho menos do que drogar uma menina e sodomizá-la vaginal e analmente enquanto ela está inconsciente. Não urge tanto alertar sobre o contexto — desde 77 tudo está bem contextualizado, e diga-se, apenas abrandado, e nada piorado.

Felizmente não é o caso de Lola (a única pessoa que nomeei aqui, embora tenha pinçado outros textos), mas sabe-se que o brasileiro "argumenta" em causa própria em 90% das vezes. Então ok, mocréias, já entendi que adorariam levar do Polanski no rabo. Mas deixem que a justiça seja feita, como vocês esperneariam que o fosse se o criminoso fosse eu e as estupradas fossem vocês.

terça-feira, outubro 06, 2009

Meu pedido público de desculpas, Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna

"Estou sendo processado por inúmeros jornalistas. Eles se sentem caluniados porque revelo para quem eles trabalham. Só jornalistas maricas processam outros jornalistas. Um jornalista que se preze responde a um artigo com outro artigo."
— Diogo Mainardi

Italic
AVISO aos meus 7 leitores: uma infindável burocracia estatal contaminou a internet na minha casa, por isso o blog esteve parado; forças maiores (ou pelo menos com vontades maiores de lucrarem com processos) me forçaram a voltar a escrever; peço minhas escusas por não ter ainda cuidado do layout (que peguei pronto), com a promessa de que no fim da semana que vem o farei. Pra variar, estou culpando o comunismo. Pra variar, é verdade.

post editado, erros corrigidos. eu acho.


Para quem era feliz em sua ignorância, este blog está sendo investigado pela Polícia Civil graças á denúncia cidadã de um fake denominado Gael González, criado unica e exclusivamente para reclamar de minhas opiniões a respeito de Túlio Vianna.

Como não quero ser preso, violentado e torturado por outros presos, venho a público fazer meu pedido de desculpas a essas duas (duas?) almas tão cidadãs. Para quem passou os últimos meses em Urano, um pequeno histórico irá explicar o busílis.

No dia 25 de julho, os blogueiros Gravataí Merengue, Morróida e Izzy Nobre resolveram organizar o #lingerieday no Twitter, uma idéia que tinha tudo para dar errado. Reclamaram tanto que até quem não estava fazendo a menor idéia de que isso existia apareceu e até participou sem saber quem organizava. A chefia do berreiro ficou a cargo do professor de Direito da PUC-MG (e agora da UFMG) Túlio Vianna, que chegou a afirmar que as moças que exibiram sua lingerie no Twitter estavam sendo tratadas como um "bife".

Apesar de concordar com a Fran Lebowitz (quando diz que seu animal preferido é o bife), achei estranho que este professor considerasse o evento como uma, digamos, bifeficação. Ainda mais sendo ele o autor do açougueiríssimo texto E se Liana se chamasse Maria e Felipe se chamasse João, em que defende que o seqüestrador, estuprador, torturador e retalhador Champinha não teria cometido nenhum crime, pois estava buscando o que o Estado lhe negou. Escrevi um post no blog de meu amigo (por sinal, bacharelando em Direito pela USP) Gabriel Moura sobre o assunto. Entre outros adjetivos impublicáveis, tratei o prof. Túlio Vianna por "merdinha", o que, como se sabe, fere gravemente a honra e a reputabilidade de uma pessoa adulta e cheia de méritos como um doutor em Direito.

Escrevi este texto para alertar pessoas que discutiam "objetificação" sem saber que lidavam com um defensor de uma objetificação que impossivelmente seria mais mórbida, mas cuja arrogância e ignorância não lhe impediam de ainda querer dar uma aula sobre o que é um bife (e talvez como retalhá-lo). É forçoso notar que toda a sua argumentação (repita-se: TODA) consistiu tão-somente em acusar Gravataí de ser um doente mental e onanista (argumentum ad hominem, art. 140 CP), que precisava procurar um psicoterapeuta, e repetir ad nauseam que Gravz, enquanto macho, era um sujeito, enquanto as moças (e rapazes) que exibiram sua lingerie (ou partes sobejantemente hirsutas) seriam objetos (ideiazinha de moleque que se acha filósofo, refutável entremeada a bocejos por qualquer bostinha conhecedor de 1% da filosofia do sec. XX). NADA mais foi dito, e desafio Vianna ou Gael a exibir alguma sabedoria mais profunda e menos goebbelsiana.

Faço notar que até refutaria letra a letra cada palavra que Túlio Vianna proferisse sobre criminologia, objetificação, Foucault, lingeries ou bifes ao molho pardo, caso ele escrevesse algo mais profundo que merecesse tal vivissecção, ao invés de simplesmente papagaiar se achando professor, quando não tem mérito sequer pra ser um aluninho reprovado.

Embora Vianna tenha gastado o dia inteiro discutindo no Twitter, achou por bem dizer que não iria perder tempo respondendo a um "reacionário raivoso" como eu, pois se o fizesse com cada um, não faria outra coisa na vida ("Deixa a cachorrada latir", segundo ele — crime tipificado no art. 140 CP: pelo princípio animus retorquendi, exclui qualquer possível pena a mim, além de minha injúria ter sido provocada diretamente pelo ofendido). Preferiu gastar suas preciosas e esparsas horas com coisas que exijam menos neurônios, como reclamar no Twitter de compararem seu campeonato de Miss Direito Penal ao #lingerieday.

Uma semana após, Vianna apareceria na MTV queixando-se de humoristas que fazem... piadas. Afirmava que o humor deve ser patrulhado e (não usou essas palavras) censurado (quiçá por advogados como ele ou o fake Gael, que podem definir o que pode e o que não pode para bestas como nós). Escrevi o texto (vide dois posts abaixo) sobre Túlio Vianna querer nos ver felizes. Novamente, o doutor preferiu não discutir, e eu fui acusado de não saber argumentar, só repetir uma única frase o tempo todo (em contraste a Vianna e Gael, gênios da lógica, da retórica, da poesia e da dialética, a ponto de botarem psicopatas nas ruas), embora eu não consiga encontrar a tal frase no texto sem a hermenêutica jurídica de Gael..

Entrementes o fake foi criado no orkut e no Blogger. Depois de insistir com minha bolsa escrotal que eu era irrelevante (como paradoxalmente sua existência e seus queixumes à Polícia Civil o comprovam), resolveu se aproveitar de um post novo neste blog (vide abaixo), em que reproduzo um texto alvo de ameaça de processo a respeito de um tal "Boteco São Bento" e sua má recepção, para me denunciar para a Polícia Civil (vide os comentários e as ameaças).

Recapitulando os personagens:

Dramatis Personæ
Flavio Morgenstern, perigosíssimo delinqüente anti-social
Gravataí Merengue, Morróida e Izzy Nobre, porcos chauvinistas
Gael González, fake advogado do Diabo
Champinha, retalhador a procura de emprego numa creche pública
Boteco São Bento, pior bar do sistema solar
Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna, o merdinha

Antes que o próprio "ofendido", o Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna, venha me processar, apontando um dedo em meu nariz com o dorso da outra mão à cintura e pézinho a fustigar violentamente o assoalho, bradando: "Está pensando que sou pouca merda?!", não me resta mais nada além de fazer um pedido de desculpas ao Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna. Para começar, dou para trás no apelido de "merdinha" que lhe dei (de fato, que seus alunos e amigos lhe deram, ao tanto reclamarem): um professor de Direito, que infecta e contamina a mente de alunos nada afeitos à crítica e à leitura de autores divergentes, não pode ser um merdinha — é sim um bandidaço genocida de neurônios da mais alta periculosidade. Se sua família algum dia for assassinada e retalhada, caro leitor, pode se perguntar se Túlio Vianna não tem envolvimento direto com o caso.

Sua menção, doravante, não será mais por termos como merdinha, adevogadozinho medíocre de quinta categoria, defensor de estuprador, apologista da pirataria (Artigo 184 CP), besta-quadrada ou outros termos caluniosos. Muito menos por bactéria macrobiótica, saco de peido, montanha purulenta, balde de porra, triste destino fétido da decadência ocidental, comedor de cu de gato ou abolicionista penal, que tanto passa pela cabeça de meus leitores. No lugar, esta carrada adjetivista estará circunscrita na expressão "Sua Excelência" (por óbvio que esta troca é uma operação de mão-dupla, mas meus leitores que a escrevam e sejam presos por própria conta em risco).

(Já estou até me imaginando num presídio de segurança máxima: "Estou aqui porque matei um cara", "Eu trafiquei fuzis", "Eu estuprei e degolei uma menina", "E eu, falei mal de um advogado contrário ao #lingerieday".)

Não é a primeira vez que um advogado perde as estribeiras numa discussão pela internet e, para fingir que ganhou a discussão, invoca o poder de processo. Já tentaram me calar antes, como mostra essa imagem (cliquem para ampliar):



O que fazer com advogados que ao serem humilhados e terem sua pequenez intelectual exposta em público, acham que podem botar medo em alguém dizendo que sabem processar? No presente caso, examinarei mais demoradamente as acusações de Gael.

Gael diz que eu "faço pouco caso das autoridades", sendo que o que mais quero é que elas sejam mais respeitadas, ao contrário de Túlio Vianna e dele próprio. E reclamo da advogada do Boteco São Bento, por fazer esse papelão. Ela, ao contrário, deve estar me agradecendo, por saber que foi acionada por picuinhas, e que por isso não irá cobrar um michê fixo, o que significa, portanto, que estará mais rica às minhas custas, sem me repassar um único prostituto.

Confudir "autoridades" (como policiais que arriscam sua vida para prender bandidos) com advogadozinhos buscando fazer fama e fortuna às espensas ou de uma resenha negativa (como a do Boteco São Bento), ou, quem sabe, com seqüestro-estupro-assassinato frio (como Sua Excelência), me parece algo passível de menos encômios do que um crime. Ou seja: não faço pouco caso das autoridades, e sim de advogados imbecis que a atravancam, em troca de auferir um lucrinho para seu próprio bolso (o órgão mais pensante desses seres) e vociferar que estão cumprindo seu dever de cidadãos.

Confundir autoridades civis consigo próprio também tipifica crime de falsidade ideológica, previsto no art. 299 CP, e o anonimato não o livra, penalmente, do crime de denunciação caluniosa, embora exigir o completo entendimento disso de alguém que quer me denunciar para a Polícia Civil por eu comprovar que um merdinha é um merdinha, ao mesmo tempo em que faz troça em meu próprio blog dos crimes que sabe cometer e me chama de "verme covarde que se esconde atrás de um computador" me soa uma legítima reductio ad absurdum. Sem falar em me "denunciar" por injúria cometendo outras: alguns advogados estão ocupados demais tentando colocar estupradores nas ruas para entender de Processo Penal por injúria...

Ainda diz que chamei de "propaganda gratuita" os direitos civis das outras pessoas. Pelo contrário: chamei de propaganda gratuita me "denunciar" para a Polícia Civil, como se delegacias não tivessem mais o que fazer, pelo direito de alguém ser um merdinha. Mas e que tal falar dos "direitos civis" de Liana e de Felipe? Nenhum advogado apologista de assassino (melhor repetir, ASSASSINO) está disposto?

Não invoquei o "suposto manto da 'liberdade de expressão'" para "cometer crimes". Posso processar o Gael por difamação: mas, por ora, isso vai contra o que exponho sobre o atravancamento da Justiça por advogados remelentos que confundem Justiça com estupro e degolamento, e autoridades consigo próprios.

Gael me difama (mimimi!) dizendo que serei "mulherzinha de presidiário, como sempre sonhei". Se isso não é incitação ao crime (art. 286, CP), é o quê? E deixo com Túlio Vianna a apologia do criminoso (art. 287, CP). Lembrando: ambos de ação penal pública incondicionada...

Não para por aí: eu "perpetro vários crimes e ilícitos civis". Por exemplo... discordar e tratar por termos pouco adequados um professor. Que merda eu penso que sou pra discordar?!

"Há também sérias violações a direitos civis e garantias constitucionais de particulares, tanto pessoas jurídicas quanto pessoas físicas" — o leitor mais "morgenzete" permitir-me-á dar para trás novamente: não violei o direito civil nem a garantia constitucional de nenhuma empresa vender chopp mais quente e azedo que xoxota na época dos vikings, nem mesmo em ter garçons enrabados cicladianamente por tulipas para serem tão chatos com os petiscos sem graça em acompanhamento. Só adverti meus 7 leitores de que se eles querem meter a boca em coisas mais quentes e azedas que as ditas xoxotas, podem procurá-las em outros estabelecimentos mais gabaritados.

Faço também notar que não neguei o direito de resposta de Sua Excelência. Mas, para isso, talvez Sua Excelência tenha de se desencastelar de sua morada acadêmica, enfrentar um zé-arruela leitor de Veja, rebaixar-se a explicar pormenorizadamente as irrefutáveis provas de que Champinha não cometeu nenhum crime ao seqüestrar, estuprar, torturar, destruir aos poucos o corpo de Liana, terminando por degolá-la e se aproveitar de seu cadáver — explicar a falta de crime para um imbecil como eu, que não consegue nem perceber essa coisa óbvia, que qualquer protozoário ou aluno de Túlio Vianna é capaz de entender, muito menos como isso pode ser uma revolta legítima contra o Estado, ou ainda qual morte pode ter pior que a de Liana.

Contudo talvez algum "morgenzete" acredite que, se Sua Excelência colocar em seu blog uma réplica a um texto meu, que destrincha as falhas não só de pensamento, mas de moral desse arauto do politicamente correto, Sua Excelência não poderá mais se refugiar na seclusão de um mundinho acadêmico em que seus aluninhos recém-saídos do cursinho lhe amam sem conhecer suas falhas, e o consideram um Deus da esquerda sem nunca ter lido ninguém de direita — ou mesmo alguém de esquerda com um pensamento menos chulé, o que não parece ser tão difícil de se encontrar.

Quem sabe aí Sua Excelência teria de refutar meus argumentos, e se expor ao ridículo não só ao meu público, que já o considera ridículo, mas até ao seu próprio, ao se mostrar um açougueiro procurando público pro domo sua, às custas de um assassino com quem teria medo de cruzar numa rua às 5 da tarde, mas sobretudo de uma menina retalhada por este monstro, cujo cadáver ele teria nojinho de ver no necrotério, mas que, segundo Sua Excelência, foi tão somente um obstáculo para Champinha conseguir seus direitos estatais.

De toda forma, cabe aí o convite: o Excelentíssimo Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna é livre para replicar, ponto a ponto, frase a frase, os meus argumentos, e aí teremos um debate de gente grande. Isso, é claro, se não preferir se esconder atrás de fakes e achar que me assusta me chamando de "criminoso", como se ele não fosse um criminoso dos grandes.

Sendo a discussão jurídica, cabe perguntar: o que é mais interessante para o bem público prender Flavio Morgenstern, o perigosíssimo delinqüente que pratica a esmo "sérias violações a direitos civis e garantias constitucionais" do casal Túlio Vianna-Champinha (quase uma dupla sertaneja, ou quiçá de gore metal) para que ele seja "mulherzinha de presidiário, como sempre sonhou", e a sociedade possa dormir tranqüila sem pensar que mais um monstruoso pregador da pena de morte e do Direito Penal do Inimigo esteja lendo Ortega y Gasset entre eles, ou se preocupar com ONGs com verbas governamentais (?!) que querem Champinha livre, e com um Túlio Vianna dizendo que destruir a vagina de uma adolescente de 16 anos durante um seqüestro terminado em esfaqueamento e degolamento ("Matei porque quis", segundo Champinha) não constitui crime e Champinha é apenas um "suposto algoz"?

Acredito que logo logo estarei sendo processado por "assassinato intelectual". Se algum delegado até agora estava caindo na minha ladainha, sinto lhe informar: não tenho nenhuma contra-prova que desminta a acusação.

Assim sendo, não sei se chega a surpreender que Gael defendendo Sua Excelência chegue a descer ao averno ideológico capitalista de defender uma empresa privada (no caso, o Boteco São Bento). Claro é que Gael, em sua ânsia desenfreada para defender seu ídolo, agora queira atacar Flavio Morgenstern per fas et per nefas.

Gael ri de eu não ter dinheiro, enquanto Túlio e o dono do boteco têm. Furtar-me-ei a honrar tal acinte com uma réplica.

De toda forma, Sua Excelência é um abolicionista ferrenho, aquilatando que ninguém deve ir para a prisão, nem mesmo retalhando alguém. Como não tenho dinheiro para pagar uma advogada, e nem garbo e elegância para conquistar uma estagiária gostosinha, acabo de enviar um e-mail para prof@tuliovianna.org perguntando se Sua Excelência não pode ser meu advogado de defesa neste arrastado e importantíssimo caso.

Mas in finis, tenho novidades vindas da USP sobre Túlio Vianna, coincidentemente do mesmo dia em que Gael veio me botar nos eixos. Aguardem.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Boteco São Bento - o pior bar do sistema solar

Edição posterior: encontrei esse texto no blog do Cardoso, e resolvi aderir à ideia. Não sei se o texto original é dele, mas fica impossível confirmar com tantos blogs o reproduzindo; de toda forma, acho que quem criou queria iniciar uma espécie de marketing viral, então creio que o Sindicato dos Blogueiros não vai me processar — apenas os advogados de merda, já fartamente conhecidos.


O blog Resenha6 escreveu o post abaixo (detalhes ulteriores aqui) sobre o péssimo atendimento de um tal "Boteco São Bento". O resultado foi o dono do bar aparecer nos comentários atacando no melhor estilo baixaria os donos do blog, coisas do nível "Felizmente não precisamos de clientes do seu perfil" pra baixo.

Como essa estratégia não foi bem-recebida pelos leitores, o próximo passo foi soltar uma notificação extra-judicial, basicamente ameaçando de processo o blog, caso não retire em 24 horas o post.

Pois bem; acho que advogados também merecem ganhar seu dinheiro, então sugiro que a advogada do Boteco São Bento tenha bastante trabalho. Minha proposta: TODOS, digo TODOS os blogs devem publicar o MESMO post. Assim ela terá que enviar notificação para TODO MUNDO. Ou fechar a Internet.

Aqui minha contribuição. Aguardo a notificação.



Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles ainda ficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha simpatia no atendimento.

* Fui no da Vila Madalena. Dizem que o do Itaim é ainda pior.
* Para dicas de botecos que valem a pena, leia outras resenhas aqui.
* Siga o Resenha pelo Twitter antes que eu bote outro link na mesa.


Resenhado por
Raphael Quatrocci

quinta-feira, agosto 06, 2009

Túlio Vianna quer que você seja feliz

"AFRICAN, n. A nigger that votes our way."
— Ambrose Bierce, The Devil's Dictionary

O Brasil é um país rabugento, mal-humorado, resignado, rude, xenófobo e com regras de etiqueta absurdas, o que é a perfeita descrição que o brasileiro médio faria da Suíça ou da Dinamarca. Os brasileiros que já ouviram falar de Suíça ou Dinamarca, é claro.

O Homo brasilis padrão, o brasileiro com cultura brasileira, é tão familiarizado com humor quanto Paris Hilton é familiarizada com a Teoria do Campo Unificado.

Existem alguns fatores que podem indicar o grau civilizatório de uma população. Cito os óbvios: vasto domínio da Antigüidade clássica e fenomenologia alemã, manipulação de DNA, língua grega, literatura americana, pornografia russa e pena de morte podem ser pedras de toque para diferenciar o Canadá de Serra Leoa. Não obstante, nada pode definir melhor a evolução de um povo do que o humor. Simplesmente porque o humor, in essentia, não passa de uma maneira elegante de sermos cruéis.

Não foi o próprio Freud quem disse que o primeiro humano que insultou o seu inimigo, em vez de atirar-lhe uma pedra, inaugurou a civilização?

Escrevi, semana passada, no blog-boteco do meu amigo Gabriel Moura, um texto sobre os ataques de pelanca éxibidos pelo Sr. Prof. Dr. Túlio Vianna (tão felizes agora?), arauto-espadachim do politicamente correto, do patrulhamento ideológico, preocupadíssimo com a objetificação das mulheres no flash mob #lingerieday, no Twitter. O mesmo Túlio Vianna que se aproveitou de uma das maiores tragédias do estado de SP para fazer proselitismo pro domo sua.

Túlio Vianna prefere maneiras pouco elegantes de sermos cruéis.


Ontem (para padrões notívagos), Túlio estava no programa
MTV Debate, deblaterando em meio a uma bazófia levada a cabo por Mr. Manson, do extinto Cocadaboa (nome politicamente incorreto o suficiente?); o humorista Maurício Meirelles; o advogado Paulo Rossi; Humberto Adami, da Secretaria de Igualdade Racial; e Tiago Lopes, um cabeleireiro gay aleatório admitindo que ri de piada de gay e mandando cada um cuidar da sua vida e parar de encher o saco. Tudo não seria uma algaravia com a afinação de um coro multitudinário sem que o debate fosse "mediado" por ninguém menos do que Lobão. É algo como oferecer migalhas para conter um buraco negro.

Todo o busílis foi causado por um arremedo de piada de preto propalado por Danilo Gentili, do CQC, que participou do programa por telefone. Podemos exercitar nossa crueldade praticando uma vivissecção da homiziada.


Ridendo castigat mores et monstrat caries

O humor, assim como os filmes de terror, por definição, é extremamente moralista. Por moral, não se deve entender que deve seguir as mesmas regras da educação moral e cívica, ou das aulinhas de religião, muito menos do clube da vigilância sanitária politicamente correta. A moral encontrada em Aquino, Kant ou Habermas funciona por congraçamento de investigações teleológicas a respeito do dever-fazer. O humor, a própria roupa do Rei, aproveita a moral para fazer o contrário: põe o homem a nu, sozinho, com o máximo de público possível, para expor o ridículo do resultado do fazer-errado.

O humorista não deve se vestir como um padre, nem ter o recato de um paladino (esse é o traje da patrulha). Esse profissional da prostituição social tem como maior realização na vida se alegrar por viver num mundo imperfeito. É um ser condenado ao inferno por excelência. Um humorista, como ser moral, não tem a qualidade da sua piada medida pelo quanto conseguiu agregar, pelo tanto de inclusão social provoca, como se precisasse de cotas raciais. Pelo contrário, o humorista tem seu valor medido por pH.

O palhaço Sr. Frango, interpretado por Dalmo Latini, se despediu dizendo: "O palhaço é a única pessoa no mundo que ri da própria desgraça". Confirmando o que nunca falhou em toda a história, um palhaço tem a ensinar a um jurista toda a moral que falta a este último. Rir da própria desgraça!, e já temos um império de "relações de poder e opressão" supostamente enxergado por Foucault ruindo como se botássemos fogo no circo.

O brasileiro, que se considera o povo mais despojado, alegre e humorado do planeta, acredita piamente nisso por viver num país sem regras,
o que significa falta de seriedade. Não é sinônimo de humor. O humorista tem método. Ele tem o dever de expor o lado ruim do homem. Mas também o lado ruim do destino. O lado ruim da vida. Como cínico, vê as coisas como são, não como deveriam ser.

O humor no Brasil é um humor Casseta & Planeta, pré-fabricado e confortável. É algo como: "Hey, você, telespectador! Observe eu fazendo uma paródia dele!" — e segue um sarrozinho com o político, o jogador de futebol, a celebridade... a exceção.

Toda a comédia, desde Aristófanes, não é confortável, não é auto-defensiva. Ela sacaneia o político, mas botando a culpa em quem o deixou ali. Seu alvo é o político, mas também o próprio humorista e, coisa proibidíssima no Brasil, a própria platéia. Se no Brasil um humorista pede desculpas por fazer uma piada de vegetarianos numa churrascaria, em qualquer país civilizado as piadas de negros são feitas por negros no gueto, assim como as de judeu.

Woopy Goldberg, Woody Allen, Charles Chaplin, W. C. Fields, Karl Krauss, Ambrose Bierce, Henny Youngman, Fran Lebowitz, O Gordo e
O Magro, Os Três Patetas, Monty Python... dá para encontrar quem fuja à regra?

Não há conforto no trabalho do humorista. O contraste é que ele busca. O abjeto com o que deveria ser certo — e, se o fosse, não seria engraçado. Quem já leu A Divina Comédia, adorou o Inferno e parou antes do terceiro ciclo do Paraíso conhece bem a regra. Toda, toda pessoa que tem ódio de Diogo Mainardi sabe bem o que é o desconforto de alguém rindo da própria condição de Paulo Francis piorado, embora no fundo concorde com cada linha do que ele escreve. Se quer conforto, pode ler auto-ajuda ou Paulo Coelho. Só invente de ler Dostoiévski, Kafka ou Montaigne se quiser se sentir mal. Coragem, ó covardes ignaros!


Túlio Vianna, nosso Grande Irmão

Há atos que merecem encômios, outros que merecem desmembramento. O Sr. Dr. Prof. Túlio Vianna vive num mundo aparte da realidade, em que um desmembramento provocado por um psicopata merece carinho da sociedade, um elogio carinhoso de homens a mulheres talvez mereça um de
smembramento.

Nesse mundo sagrado de Direitos Humanos, Túlio força e expreme a realidade para se encaixar em sua ótica doidivanas. Como para ele tudo o que existe são relações de poder, palhaços não existem, profissionais liberais sem patrão não recebem mais-valia e se alimentam via fotossíntese e, claro, toda piada que exponha alguém ao ridículo é opressão.

Talvez seja de bom tom perguntar ao Sr. Prof. Dr. Túlio o que ele acha que são as relações de poder Vigiar e Punir Law & Order de um vídeo do humorista negro Chris Rock comentando para a comunidade negra, justam
ente, sobre a violência policial...



A verdade é que, a exemplo do Big Brother de George Orwell, Túlio Vianna quer que sejamos felizes. Se ele considera algo opressão, politicamente incorreto, esse algo deve ser censurado. E assim se constrói sua ditadura do "Eu luto pela sua felicidade, logo, me obedeça". É sempre uma suposta rinha entre mais fortes e mais fracos. Se um psicopata pobre destrói o corpo
de uma menina rica, é politicamente correto. Se um branco faz piada de negro, é opressão.

Tudo se resume a assumir Vigiar e Punir como verdade dogmática:


Túlio, que passou a semana passada falando sobre objetificação da mulher, não soube responder no debate se o humor é objetivo ou subjetivo (quando você está sendo corrigido reiteradamente por Lobão, a coisa está, digamos, preta pro seu lado). Disse que é "social". E isso é objetivo ou subjetivo, doutor?

Mr. Manson, que já sofreu com a patrulha, comentou sobre a falta de liberdade em fazer qualquer piada agora. Túlio obtemperou: "Mas há a patrulha da patrulha". Entenderam? Hay que censurar, pero sin sofrer las criticas, jamas! — do contrário, do que o advogadozinho viverá? Trabalho honesto e burguês, para deixar Slavoj Žižek louco?!

Batendo na mesma tecla o tempo todo e sendo firmemente refutado mesmo em suas frases interrompidas (ainda acho que o convidam para tantos debates simplesmente porque alguém precisa levar uma sova em público defendendo uma idiotia, e ele é um homem sem concorrência), Túlio apela para seu clichê fácil e sempre disponível: brancos oprimiram negros. Logo, toda correção política é pouca. Cotas para humoristas negros já!

O negro, "subjugado historicamente" (será que Túlio Vianna faz idéia de quem é que iniciou a escravidão na África? Quem escravizou judeus no Egito?), é sempre uma vítima, numa relação com o branco. Mesmo quando rouba, mata, estupra, tortura. Para ser caudatário de tamanha estultícia, Túlio inventa de estro próprio uma teoria absurda: o branco oprimiu o negro na escravatura, e depois da abolição, surgiu a piada de negro, para o branco "se manter" em sua "superioridade"!

Qualquer chimpanzé desqualificado (fica livre a interpretação) pode conhecer os versos de Gregório de Matos para perguntar quando fizeram a primeira piada com negros no Brasil...

Mais que tudo, pergunto-me se o doutor sabe que o racismo europeu, muitas vezes, surgiu não por opressão e sentimento de superioridade, mas sim por medo. Hitler mesmo é capaz de falar das capacidades superiores dos judeus em lidar com a economia. Que tal ler Carpeaux, Houellebecq, Bachelard, Bordieu?

E os judeus (que chamam os gentios de goyim, que originariamente significava "gado"), que foram escravizados por negros? Quando Champinha estupra Liana Friedenbach, pela regra de "subjugamento histórico", está se vingando ou confirmando a exploração?

Para Túlio, além de toda a psicologia se resumir a "sujeito" versus "objeto", tudo se resume a uma luta social, uma forma de opressão. Um skinhead espancando um negro ou um gay é força de opressores sobre oprimidos. Chamar um amigo negro de "azulão" é... bem, é claro, a força de opressores sobre oprimidos. É denegrir. Não tem escapatória. É tudo a mesma coisa.

Por outro lado, fazer piada de português é, digamos, emancipação, pois nos vingamos dos colonizadores. Mesmo que sejamos seus descendentes. É a mesma regra que diz que um negro assaltando, estuprando ou o que for está sempre autorizado. É isso que Túlio chama de justiça.

O problema do humor, para Túlio, é justamente esse: no deboche, o homem é exposto a nu, sozinho, na solidão da sua consciência, naquele seu fundo insubornável de que falava Ortega y Gasset. Sem nenhum "contexto histórico", marxismo ou teoria histeriforme de quinta categoria para mantê-lo na confortável posição de coitado e perseguido político.

A twitteira SrtaT admoestou: "o dia em que você não puder fazer uma piada sem correr o risco de ser interpelado pelo ministério público, será fascismo. Minoria my ass. eu é que sou a minoria mais aviltada ultimamente sendo fumante."

Restam algumas dúvidas: nessas "relações" de poder, chamar Lula de analfabeto constitui preconceito ou não? E piada de argentino (que, por sua vez, nos chamam de macaquitos)? E o que é chamar Champinha de psicopata?

E como disse o Morroida, posso chamar Obama,
que é o chefe do maior império do mundo e portanto "superior", de preto, macaco e nigger que não vai dar nada?

Concluo: e chamar esse merdinha desse Túlio Vianna de mula-sem-cabeça é preconceito? É degradante?

É claro, refiro-me às mulas.

quinta-feira, maio 28, 2009

Resposta paulista a Luis Nassif

"(...) abriu-se portanto solenemente entre intelectuais e artistas o debate do que parece ser a grande, a suprema, a única questão cultural brasileira: Quanto cada um leva?"
— Olavo de Carvalho, O Imbecil Coletivo


Luis Nassif, em seu novo blog no IG (portal famoso por ser uma míriade de recursos inesgotável para petistas), após ser demitido da Folha por chantagear um Secretário de Segurança do governo paulista lhe pedindo dinheiro para "conferências", parece querer se vingar novamente no seu post do dia 23/05/2009.

Reproduzo-o abaixo e o comento a seguir:


Ser paulista

Abro a discussão sobre o “ser paulista” recomendando não se ceder às visões preconcebidas. São Paulo não é um, são muitos, é um mundo extremamente diversificado que não pode ser interpretado apenas a partir dos olhos da mídia paulista.
Por Hilano Carvalho

Rodrigo Medeiros,

“O problema é que os paulistas, não todos, se consideram desenvolvidos e por isso consideraram natural a adesão ao neoliberalismo, ou seja, ao fim da história”

É exatamente isso: trata-se de um auto-engano social. Os paulistas, talvez encarnando as figuras sanguinárias dos Bandeirantes do passado, sendo que, a rigor, boa parte deles nem sequer poderia reivindicar tal ascendência, pois a grande massa colonizadora de SP, não se esqueçam, tem origem italiana e espanhola, que remonta aos séculos XIX e XX, tem uma visão colonialista do resto do Brasil. Muitos vêem de fato o Brasil como um resto no sentido mais pejorativo da palavra. Dito isso, parte dos paulistas-nativos, não todos, mas a grande maioria, até mesmo sem querer, influenciados por uma cultura autoritária e servil, nem se reconhecem no “ser brasileiro” para si, se os outros assim se vêem desta maneira, ou para os outros, na medida em que se consideram superiores por apresentarem indicadores financeiro-econômicos mais favoráveis, construídos, tal como muito bem exposto aqui, pela exploração do meio ambiente e de mão de obra barata.

Creio ser este um paradigma de sociabilidade que necessita de uma reflexão crítica mais contundente por parte dos paulistas. Infelizmente, diante do aceite e do alinhamento ao pensamento PSDBista neoliberalizante, avesso ao pensar crítico, totalmente tomado por um instrumentalismo pragmático e, portanto, da desubjetivação do próprio sujeito, como ser que não reflete a si mesmo e não se reconhece nos outros, não vejo muita esperança nesse ponto.

Talvez as grandes universidades paulistas, a USP, a UNICAMP, a UNESP teriam papéis preponderantes nesse sentido. Mas o que acontece é que, em certa medida, elas mesmas estão tomadas por tal forma de pensar.
Enviado por: luisnassif -

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/05/23/ser-paulista/#comment-663125


RESPOSTA

"...parte dos paulistas-nativos, não todos, mas a grande maioria, até mesmo sem querer, influenciados por uma cultura autoritária e servil"

— Isso aí, nós, paulistas, somos herdeiros de uma cultura "autoritária e servil". Quem entende mesmo de algo diferente do Feudalismo são os nordestinos que amam ACM, Sarney e acham que Lula é Deus (não por acaso, os dois donos do Nordeste apoiaram o atual dono do Brasil).


"...nem se reconhecem no “ser brasileiro” para si, se os outros assim se vêem desta maneira, ou para os outros, na medida em que se consideram superiores por apresentarem indicadores financeiro-econômicos mais favoráveis, construídos, tal como muito bem exposto aqui, pela exploração do meio ambiente e de mão de obra barata."

— Por Deus, essa frase só tem um sentido: o Brasil precisa de Educação! Comecemos pela gramática, do contrário, ninguém além do próprio Nassif (ou do desconhecido a quem dá voz) será capaz de entender o sentido oculto dessa algaravia...

Mas enfim, Talvez os paulistas não se considerem brasileiros "para si", mesmo. Talvez por terem algumas das melhores escolas do país e boa parte da produção científica, não são servis e fazem parte de uma massa homogênea pedindo dinheiro da Petrobras e depois enaltecendo Lula.


"Creio ser este um paradigma de sociabilidade que necessita de uma reflexão crítica mais contundente por parte dos paulistas."

— Conforme falou a voz da sabedoria, vamos criar uma cátedra na USP para discutir "por que somos diferentes e precisamos nos sociabilizar com regimes menos autoritários e lulistas, como o Maranhão".


"Infelizmente, diante do aceite e do alinhamento ao pensamento PSDBista neoliberalizante, avesso ao pensar crítico, totalmente tomado por um instrumentalismo pragmático e, portanto, da desubjetivação do próprio sujeito, como ser que não reflete a si mesmo e não se reconhece nos outros, não vejo muita esperança nesse ponto."

— Vindo de Luis Nassif, poderia haver chave de ouro melhor?

Por partes:

— Se o PSDB é neoliberal, exijo que um ressarcimento de quase tudo o que paguei de impostos desde 95. Afinal, Hong Kong tem uma carga tributária de 3% e é uma ilha de prosperidade em meio á pobreza. FHC, por outro lado, deixou mais de 40% de Estado tungando nossas economias, taxa essa ainda aumentada sobremaneira por Lula, que seguiu um modelo econômico com diferença nenhuma de seu predecessor, à exceção de programas assistencialistas tomando o lugar de investimento em infra-estrutura e discurso anti-americano vulgar, eivado em política externa baseada no eixo sul-sul.

Caso não consiga este ressarcimento, gostaria de saber se Nassif poderia efetuar tal depósito de seu próprio bolso. Assim, provaria alguma espécie de "neoliberalismo" da parte do tucanato (salvaguardando algum caráter oculto que ainda possa permear seus textos), não feriria o erário público e ainda usaria o dinheiro que recebe do governo através do IG para praticar uma "distribuição de renda".

— Se o neoliberalismo não é crítico, posso presumir que deva ser um regime monopartidário, em que o Estado domine cada camada de pensamento em toda a população através de forte censura, os livros sejam proibidos e toda a imprensa só cuide de falar bem do partido que está governando. Estranhamente, essa descrição é familiar até aos esquerdistas como um retrato verossímil e verdadeiro do lado de lá da Cortina de Ferro.

— O pragmatismo, filosofia de Peirce, William James, Dewey, Rorty e Davidson, para ficar em seus maiores pensadores, para Nassif (alguém mais notou uma certa pendência da balança extrapolando as raias do ridículo?), é uma "desubjetivação do próprio sujeito". Estranhamente, é uma filosofia defensora da democracia, pela contribuição individual que os homens podem á sociedade, adequada ao liberalismo, onde o homem pode produzir com liberdade, e avessa a um Estado-monstro que retire sua individualidade.

Para Nassif, o que não é "desubjetivação do próprio sujeito"? Se Nassif fosse mesmo um pensador e leitor afinado com as maiores teorias políticas do século, poderíamos crer que ele propõe alguma forma nova de social-democracia cujos entes que perfazem o todo encontrem um novo horizonte de significação do ser-no-mundo por uma nova releitura da intramundanidade ôntica do ser simplesmente dado... mas sabemos que não é isso: Nassif apenas diz que um sujeito só é sujeito se defende o PT. Provavelmente porque, assim, consiga levar o seu, talvez por dentro, quiçá por fora.

— Todos os homens podem se reconhecer nos outros, desde que reconheçam aquilo que têm em comum, e não se considerem todos iguais. Se a reflexão (no sentido mais espelhado do termo) pretende que nos tornemos todos iguais, mais alguns mais iguais do que os outros, seremos apenas engrenagens idênticas da mesma grande máquina, que pode ser trocada sem precisar de nenhum ajuste.

Mas novamente recomendo a Nassif: pode começar se "refletindo" em depósito, para talvez reconhecer um pouco de mim nele próprio. Em números absolutos.