terça-feira, janeiro 23, 2007

My darkest Gabrielle

ouvindo: Genesis - Mama
frase do dia: "Oh, sleep! 'Tis a gentle thing, beloved from pole to pole!" - Samuel Taylor Coleridge


For the one whose sleep is just a matter for dreaming.


Gabrielle in Dreams

Gabrielle, thou who be 'neath slumber fetters
Bethinkst the kiss thou left on my chest?
Thy hand in mine when world's shadow covered it -
Was it hurted by the thorns of a unreceived flower?
Canst thou feel the waitness lurked ere everything,
'Til Death ask us for names we don't have?
My darkest Gabrielle, treat me from my life awaking! -
Or shall I seek in wine my own sleep?
We casted up dark words on heart's mirror
And when it broke, we didn't know when would be our end.
Sleepst thou the rest destined to the tired ones
Or livest on and on the dead's nightmare?
I just can foresee we die at any moment.
Distant Gabrielle, sorrow unveils us the late wisdom of failure.
Gathering storms throughout thy breast,
This shining watercolor'd drop also invites me to dream.
In the Death Country mayhaps we will find God -
However can in Heaven we find a friend?
I feel these emptiness with my knife.
Gabrielle, thou wrote me a dream and I tried to grasp thy tears.
If our hearts will be still knocking, even underground,
Wherefore crying for a world bereft of tears?
Wherefore grant graves for the lillies?
We shall meet again at the end of the world
And we will lament for not in recognizing ourselves.
To thy dream I belong no more.
Thou were near when my life was fast...
My woebegone Gabrielle... My woe be gone, Gabrielle...

domingo, janeiro 14, 2007

Lições de Auto-Ajuda

ouvindo: Echo And The Bunnymen - The Killing Moon
frase do dia: "O verdadeiro renegado é o homem que perdeu a fé em seu semelhante. (...) Colocamos a nossa fé na bomba e é ela que atenderá as nossas preces." - Henry Miller


Garatujado em garrafais rabiscos manuscritos com a fonte flaviana grotesque até onde a folha possuía espaço, numa noite cálida e tranqüila, entre ecos trazidos por ventos longínquos e estrelas sorridentes num céu de um cerúleo puro - em outras palavras, um daqueles belos momentos que antecedem um suicídio:

  • Nenhum santo pode curar o pecado alheio.
  • O perdão e a sinceridade são as mais ferrenhas táticas de manipulação.
  • A Democracia, como a Psicanálise, são velhacas desonrosas: fazem pensar que nós as dominamos, quando dominam até nosso pensamento.
  • Não há liberdade que se compare às deliciosas algemas de um amor impossível.
  • Algumas esperanças são tão humanas quanto seqüestrar um fígado.
  • O caminho que faz com que o outro nos veja também como consciência, e não apenas como objeto, possui uma parada apenas para desembarque no fim da 3.ª Guerra Mundial.
  • Os aterrorizantes ruídos de um molho de chaves no terraço, que indicam que logo alguém chegará ao ambiente, mostram que qualquer tranqüilidade é um intervalo curto num longo período de tempo, e toda a vida continua sendo uma merda, mesmo que ter isso em mente seja acalentador.
  • O que as pessoas falam sobre o que é certo confunde-se mortalmente com suas próprias vontades.
  • A vida é entrar no mar temendo-se chegar à outra margem. Tanto a esperança quanto o desespero são âncoras.
  • Renúncia: eis o nome do aprendizado pelo desgosto.
  • Repete-se tanto que Deus é perfeito provavelmente por se duvidar um bocado disso.
  • Práxis: há exatas 1.347 maneiras de errar o martelo no prego; só uma de acertar.
  • O vale da morte não produz ecos.
  • Departamentos de RH sabem que o animal humano é um bem perecível, com prazo de validade vencido.
  • Casamento é como cagar: depois de um tempo você olha pra trás e vê a merda que fez.
  • A falta de oportunidade para o crime não é sinal de inocência.
  • A esperança no passado é tão animadora quanto um anjo num caixão.
  • Sob sombras de árvores, entre acordes doces, olhares apaixonados e sorrisos reluzentes que a lembrança traz, as mulheres escolhem seus homens. A morte também.
  • Pode-se perdoar um homem por trair, mas nunca por amar a ponto de se ferir.
  • Musa amada, meus versos enaltecem tua beleza. Mas a idade roubará tua beleza e tua pureza, mas nunca as de meus versos.
  • Relacionamento social é a seleção em laboratório dos espécimes para o relacionamento sexual.
  • Vencer a morte não implica vencer a vida.
  • Se a depressão é uma doença, o que a esperança é capaz de curar?
  • A religião é um sério problema social. Sugiro que as pessoas só se batizem no civil.
  • O que são crianças, senão larvas com o design melhorado?
  • A química criou o Viagra e o Prozac, mas é incapaz de curar o aniversário e o coração apaixonado.
  • Não sei se Deus é onipresente, mas os crentes certamente o são.
  • O perdão do ser amado não vale um pingo do que é a auto-aceitação. A porra do orgulho termina por foder completamente a equação.
  • O cachimbo dá ao sábio tempo pra pensar, e ao idiota alguma coisa pra enfiar na boca.
  • Não me drogo o suficiente pra viver depressivo o tempo todo.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Uma Canção Infinita

ouvindo: Lacrimosa - No Blind Eyes Can See
frase do dia: "Estamos no mundo, estamos condenados ao sentido" - Merleau-Ponty

Já que estou deixando alguns alfarrábios de meus livros por aqui (o romance, a coleção de poesias e o novo, sobre o humorístico Marxismo Universitário), também vos condeno à eternidade (sic, é um dativo ético) um capítulo de meu grande projeto hiper-ultra-secreto, "Aurora do Iconoclasta" (sim, tirei da música do Dead Can Dance) - um livro em estilo bíblico, divido em livros internos, capítulos e versículos.

Eis o quinto capítulo do sub-livro "Sabedoria da Natureza", que versa sobre o conhecimento obtido diretamente do mundo. O texto (junto com outros falando sobre os quatro elementos, a luz, as trevas, o céu, a vida, a morte, etc.) fala sobre o tempo.

Dedico essas linhas (o primeiro capítulo que escrevo de que tenho certeza de que está completo) à minha amiga Nane, que tanto vem me ajudando a sincronizar tempos que correm em ritmos desiguais... ;)

Se não ganhar o Nobel com esse livro (eu quero só a bufunfa!), terei certeza de que é só porque não sou comuna.

Enjoy.


Capítulo 5: Uma Canção Infinita

1. Eu vos falo sobre o tempo, o mais antigo dos assassinos.
2. Nada está parado, e tudo pode ser perdido - quando a Morte tingiu o primeiro homem de cinza, ele pensou no tempo.
3. O dia se apaga naturalmente, levando memórias aniquiladas por natureza, sem ser um objeto natural.
4. A única existência jaz entre o berço e o túmulo. Apenas se pode medir as inescapáveis horas entre os dois. Mais duro que a morte é viver até ela.
5. O rochedo é visto, o fogo pertuba, a água afunda, o ar se respira - até a poesia é sentida. Não se atinge porém o tempo, que desvanesce até a esperança.
6. Os navios naufragam e as ondas se quebram, mas o reflexo do luar permanece inabalável.
7. Contando-se as estrelas se mede a Terra, contando-se as mortes se mede o tempo.
8. Temei deuses inexistentes, mas o único desses deuses que mata por suas próprias mãos é o tempo!
9. No infinito se conta as luas e as marés e os dias de fome antes da colheita, mas não as estrelas e grãos de areia e trigo, nem os dias após o luto.
10. O mundo gira enquanto o homem se retorce; não antes da segunda primavera que se previu o que haveria após o inverno.
11. Adiante e ao fundo, refazendo-se em tons mais negros. O tempo é a espiral que puxa tudo para o fundo do oceano, passando abaixo dos mesmos pontos.
12. E repetindo-se o riso após a lágrima, o nascer reluzente após a escura dor e a borboleta após a lagarta, o homem deixou de se surpreender com a sabedoria após a loucura.
13. No relógio, os mesmos números marcam dias diferentes. Quem entende essa partilha infinita faz ciência, quem não entende, faz profecia.
14. Repetir em padrões permite a matemática e a linguagem, e com números e verbos o homem pôde mentir.
15. Não há mais injusto que o pêndulo, e o juiz quer imitá-lo com o seu martelo.
16. Qual se queima mais rápido: o livro falso ou o verdadeiro? É preciso mais imaginação e esforço para se criar uma mentira.
17. A verdade e o aplauso demoram para serem realizados. A mentira é ligeira como o eco. Só se mente para cima.
18. O louco sonha com o futuro, a História revisa o passado - quantos puderam enxergar o seu próprio presente?
19. E quando notaram que os antigos pouco sabiam, justificaram sua insânia pois o tempo era jovem demais para ser maduro. Como se os tempos criassem homens, mas os homens não criassem tempos!
20. O corpo e a vontade se enfraquecem, a estrela e o amor se apagam, a fome e o deus morrem. A espera e a verdade, porém, são invencíveis, escondidas atrás de tudo.
21. Quantos anos vividos vale um pensamento incessante? Muitas vidas são medidas, mas nunca nenhuma morte.
22. O seu tempo contará o que o nosso tempo escondeu.
23. Para o sono não ser o exórdio da morte, é preciso sonhar ou não mais acordar.
24. Os mares não carregam as horas, indo e vindo, sobre suas ondas. Mas os corações possuem alguns ponteiros cravados, afundando os mesmos instantes.
25. A areia da ampulheta vem do deserto, também medindo o incontável, que está entre tudo, sem antes e depois.
26. O infinito distribui fins sem cessar. Aqueles que perdem o tempo, porém, dificilmente reencontrarão a si próprios.
27. Alguns não se cansam de perder tempo, e outros não suportam ainda o possuir. O tempo se cansará e não suportará nenhum dos dois.
28. Poucos que reclamam mais tempo merecem os ensejos que perderam. Quem é seu amigo não exige muita amizade.
29. Aquele que mata o seu tempo é o mais espúrio suicida.
30. Para quem vive o suficiente para haver uma morte, a vida eterna seria insuportável.
31. As engrenagens dos relógios dos corações não possuem a mesma medida, entre si ou com as ampulhetas e clepsidras. Quantos amores não abreviaram suas verdadeiras horas finais por contar apenas um tempo!
32. Nem toda enfermidade deixa marcas, nem todos os marcados são enfermos. A delonga destrói enfermidade e enfermo, deixando suas próprias marcas.
33. A idade não paralisa o sangue, apenas apascienta o coração.
34. Todos os dias, o sol ilumina ambos os campos: dos vencedores e dos vencidos.
35. Quem possui mais vida: o velho escravo ou o jovem príncipe?
36. A espera, o ócio, a desídia: todos tornam negros e breves momentos mais eternos que a morte.